sábado, 28 de outubro de 2006

...

Tenho estado doente.
Sem forças para mudar o mundo, nem energia para dispensar atenção a ninguém. Sem inspiração, nem paciência...
Apetece-me ser rezingona, mau-feitio e gritar aos ouvidos de quem diz tontices acerca do que realmente penso das barbaridades que dizem... e aproveitar e descarregar ainda mais dizendo-lhes algumas verdades bem duras e cruas sobre o que acho que essas pessoas são e dos disparates que proferem (e acreditem que quando me dá para isto eu sou capaz de arrasar com quem quer que seja o alvo da minha ira...).
Mas ao mesmo tempo que me apetece tudo isto, vou tendo alguns acessos de mimo e carinho profundo para com as pessoas que tão cuidadosamente têm tratado de mim.
Nunca parei muito para pensar nisto, mas acho que estar doente provoca-me uma espécie de exaltação de emoções que atingem extremos quer em género, quem em quantidade. Fico mimada e com vontade de mimar. Fico com vontade de ser o centro do mundo e com isso sinto-me no direito de ter mais mau-feitio do que o habitual. Fico sem paciência... mas também fico com uma vontade quase irresistível de corresponder de forma avassaladora aos mimos de quem me mima. E nestes dias tenho sido muuuito mimada...

quarta-feira, 4 de outubro de 2006

Pura poesia

Alguém escreveu o seguinte:
"Acho que dar e receber mimo é das coisas mais maravilhosas que existe: transmitir o carinho que se sente por uma pessoa, através de um beijo, de uma caricia, de um olhar ou daquela palavra mágica - cheio de profundidade e de intenção - é realmente único..."
 
Desde a primeira vez que li esta frase, não voltei a esquecer esta forma tão franca de descrever algo que nos dias de hoje parece estar fora de moda...
...aqui fica a minha (mini) homenagem a quem ainda se permite ter alma de poeta.
 

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Equinócio

Hoje é dia de equinócio.
Hoje temos o mesmo tempo de luz solar como o que nos mantemos escondidos dela.
Acabou o Verão e os dias vão ficar mais e mais pequenos...
...nem de propósito, como quem quer marcar de forma inequívoca o fim da estação, hoje estamos a ser brindados com um temporal com chuva fria e vento que leva tudo o que lhe aparecer pela frente.
Hoje parece que, de um momento para o outro, o mundo mudou de forma dramática e ficou revestido de castanho e cinza.
Fico sempre nostálgica nesta altura do ano. Gosto do calor e de sentir o sol a envolver-me e por isso sou fã incondicional do Verão... daí ficar entristecida quando sinto que ele está a acabar.
Hoje apetece-me calçar as minhas botas e partir para o Montezinho. Vaguear pelas suas estradas ladeadas por castanheiros com tons avermelhados e apanhar castanhas caídas nas bermas para assar na lareira. Sentir o cheiro da terra quente contrastado com os aromas de castanhas assadas. Sentir o meu nariz a gelar com os ventos frescos que se fazem sentir. E estar longe... longe do mundo e de regresso às coisas simples, como a terra, os campos e as pessoas que deles vivem e que mantêm sempre um sorriso pronto para mostrar aos desconhecidos que os vêm visitar...
 

quinta-feira, 17 de agosto de 2006

Chuva

Chuva. Voltou e em força.
Quem me conhece sabe que não gosto muito de chuva. Gosto de a ouvir lá fora quando estou confortavelmente enroscada em casa, mas à parte disso…
Não sei se é por estar mais velha ou se por estar cada vez mais receptiva a coisas novas, mas a minha relação com a chuva tem vindo a mudar. Ontem dei por mim a saborear o som da chuva e a dar descanso ao guarda-chuva (ou chapéu de chuva, como se diz na minha terra) enquanto passeava na rua, a recordar com nostalgia os dias de férias que passei em Monteverde, na Costa Rica.
Monteverde foi uma aventura e uma revelação. Foi o destino mais rústico das várias paragens que fiz nestas férias, o destino mais frio, com piores acessos, o mais aventuroso e o mais ecológico. Por lá visitei o parque natural e vi pássaros, bichos e plantas que nunca tinha visto, passeei pelo meio de colibris de mil cores (numa concentração de pássaros por metro quadrado que não julgava possível) e fiz tantas e tantas coisas que me é difícil enumerar agora.
Mas a maior aventura em Monteverde foi o passeio pelas pontes suspensas não só pela caminhada em si, como pelas vistas e pela… tempestade tropical, brindada com trovoada, que se abateu sobre nós em bátegas que magoavam e que impermeável nenhum no mundo conseguia reter. Agora é só imaginar-me (a não gostar de andar à chuva) a pensar que aquela era uma oportunidade única para andar naquelas pontes e passear pelo topo das árvores da floresta, oportunidade que não podia perder de maneira nenhuma, mas… que estava a chover demais e que o pior sítio do mundo para se andar debaixo daquela trovoada era precisamente nas copas das árvores, em pontes suspensas que ainda por cima eram metálicas…
Fui. Inicialmente pouco convencida e no fim completamente rendida. Adorei não só as vistas, como a aventura e a chuva em si. Ficou a memória da tempestade e do nosso amigo israelita (cujo nome não recordo) que corajosamente se juntou a nós nesta aventura, enquanto todos se refugiavam do mau tempo.

quarta-feira, 2 de agosto de 2006

Loucura

Parar. Preciso de parar… Forçar a paragem desta espiral de loucura que me invade e encontrar o verdadeiro sentido das coisas...

terça-feira, 1 de agosto de 2006

...

São tantas as palavras que me correm no pensamento e tão poucas as que me parecem apropriadas para te dizer… Hoje estou com o meu pensamento em ti, por ti e para ti.
Apenas e só porque gosto muito de ti…

quinta-feira, 27 de julho de 2006

"Não pode haver cubanos contentes"

"Um tribunal de Miami, EUA, obrigou uma escola primária a recolocar os 24 livros que falavam de Cuba na sua biblioteca, segundo o jornal americano "Tampa Bay". O pai de uma criança não gostou das imagens dos livros, pois mostravam cubanos felizes e pediu para serem retirados. O conselho directivo acedeu. Mas um juiz, visivelmente irritado, anulou a decisão"
In "Metro", 27/07/2006
 
Esta é a única literatura que tenho disponível no café aqui ao lado, onde costumo beber café todas as manhãs. Hoje, ao ler isto, até me engasguei...
...este (tão liberal e democrático) papá devia ficar chocado se fosse a Cuba e se apercebesse que grande parte dos cubanos não só é feliz, como também orgulhoso de si e do seu país!...

terça-feira, 25 de julho de 2006

Mais uma estrelinha no céu!...

Esta minha aventura no mundo dos blogs começou (já lá vai algum tempo!) com um desafio de uma certa moçoila que também se tinha aventurado nestas andanças.
Já lá vão alguns anos de constante presença neste mundo que ambas criámos, aproveitando para manter contacto e ir sabendo as novidades de parte a parte, com acompanhamento próximo dos respectivos blogs. Pois... por aqui e nos aniversários da Clara.
Não é justo esquecer-me dos aniversários da Clara, aqueles que têm mais convidados do que muitos casamentos, onde todos fazemos questão em estar presentes e onde todos nos revemos, ano após ano, como se de um jantar de curso se tratasse (sim, a Sandra é a felizarda que casou com o Miguel, também ele engenheiro da mesma "fornada" que eu).
Porque me lembrei de tudo isto hoje? Simples... Hoje nasceu o Ruizinho. O auspicioso bebé que é fruto dessa cumplicidade tão bonita de se ver, entre estes dois felizes e babados papás.
Sejas bem-vindo, Ruizinho, cuja vida ainda agora começou, mas que já tem sido acompanhada tão de perto.
...e acho que nunca mais vou esquecer o ar tão leve, fresco e feliz com que a Sandra me atendeu o telefone (imaginem!) apenas uma hora depois do nascimento!!!...

sexta-feira, 21 de julho de 2006

De volta às raízes

Depois de devaneios mais ou menos poéticos, aqui me encontro eu, num cenário totalmente diferente e que me é tão querido: a casa dos meus pais.
Aqui, neste porto seguro, sinto um estranho regresso às origens e à simplicidade da vida, tal como já foi há uns anos atrás. Aliás, todos os pormenores se mantêm iguais a si mesmos e até o jantar a quatro pareceu uma cena retirada de qualquer página da história que juntos temos vindo a escrever ao longo de todos estes anos.
Só a ideia de que esta noite vou dormir na minha eterna cama (que estreita que ela é!) me faz sorrir e recordar tantos e tantos momentos felizes recheados de gargalhadas, conversas cúmplices e histórias mirabolantes tão próprias e privadas de duas amigas tão profundas como sou eu e a minha irmã, com laços que nem o tempo nem mais ninguém consegue quebrar.
Aqui sinto-me igual a mim mesma e em paz. Aqui recupero a serenidade que por vezes parece desvanecer-se face a alguns espinhos que a vida vai revelando.
Aqui dou por mim a sentir saudades do tempo em que me dedicava mais a estas paragens. Do tempo em que tinha pc em casa (isto de sempre ter trabalhado com um portátil e ter ficado sem este "mimo"...) e do bem que me faz escrever e descobrir-me a mim mesma através das palavras que me saem directamente da alma.
Aqui me descontraio a escrever estas palavras ao som da doce voz da Corinne Bailey Rae...
Aqui recarrego baterias para a loucura que vai ser este fim de semana (2 casamentos e um pic-nic, com direito a soprar velas), com a certeza de que segunda-feira tenho de voltar a reencontrar a objectividade e a concentração necessárias para enfrentar mais uma semana de trabalho...

...

É-me difícil descrever algumas sensações que por vezes me tiram de mim e me transportam para paragens imaginárias, em cuja existência acredito apesar de parecerem inatingíveis.
Ontem fui arrebatada com uma espécie de regresso ao passado, transportada por um estado de alma navegante através dos sons imortais de Mozart, com o seu poderoso Requiem. O poder da música, a força das vozes e o impacto que tiveram em mim foi estonteante de tal forma que, por instantes cuja duração não consigo quantificar, o mundo em meu redor desvaneceu-se e a alma e os sons dominaram e absorveram toda a restante realidade mundana…
...foi a primeira vez que voltei a apreciar música clássica interpretada por um coral. E fiz as pazes com esta estranha forma de música e comigo mesma.
Ali, no escuro do chão da minha sala, com as janelas abertas e as cortinas a balançarem com a fresca e leve brisa que se fazia sentir…

sexta-feira, 14 de julho de 2006

Acqua

Perguntavam-me se eu gostava "assim tanto" de água.
Eu respondi assim:
 
"Muuuuuito.
Água calma, água revolta, água debaixo de sol abrasador, água depois do sol se pôr, água para mergulhar e ficar o máximo tempo possível lá debaixo, onde os sons são outros e o mundo é só nosso.
Água para brincar nas ondas, água azul e tépida com corais e peixes multicolores a nadarem e a brincarem comigo a escassos milímetros da pele.
Água de cascatas, na penumbra das sombras de uma qualquer vegetação (nem precisa de ser na Costa Rica), água de rio antes de uma descarga da barragem mais próxima, com uma paz tão forte que se sabe prestes a terminar, como se tratasse do olho de um furacão.
Água. Comigo dentro ou fora, mas sempre por perto.
 
Uma das coisas que às vezes faço, só por ter saudades, é fazer o percurso mais longo para casa, começando aqui já na Foz, percorrendo a marginal e só subindo na rua que dá acesso directo a casa. Por vezes até páro, só para respirar o rio... "

terça-feira, 11 de julho de 2006

Lá em baixo

..."e tu, Maria, diz-me onde andas tu
qual de nós faltou hoje ao rendez-vous
qual de nós viu a noite até ser já quase dia
é tarde, Maria...

...toda a gente passou horas em que andou desencontrada...

...como à espera do comboio na paragem do autocarro..."

Retrovisor
Sérgio Godinho. Aqui fica a referência...

quarta-feira, 5 de julho de 2006

Back to home... work, problems and world cup!

Pois... voltei do paraíso.
Tive uns dias às voltas com os fusos horários (as porcarias que dá na tv a determinadas horas são uma curiosidade engraçada para quem tem insónias... desde que encaradas com espírito humurístico), mas já regressei ao trabalho e em força.
Tenho uma série de coisas rascunhadas em bloquinhos (uns trazem sabonetes, outros os frasquinhos, mas eu cá sou fã é dos blocos de notas...) para escrever por estes lados, mas ficam para serem publicadas depois, que o tempo urge.
Esta escapadinha é para partilhar convosco um pensamento de hoje, que se escapou desta minha grande boca e que me parece ser merecedora de reflexão: "se o nosso governo foi tão célere a acabar com as férias judiciais, porque não fez o mesmo com as férias parlamentares.
Espero que não seja nenhuma gafe, mas tanto quanto sei a Assembleia da Républica continua a ter mais do que os 22/25 diazitos de férias a que o comum dos mortais está sujeito...

segunda-feira, 26 de junho de 2006

Voltaram. Devagar, sorrateiramente e em versao light

Pois e. Isto de andar a brincar com actividades mais ou menos radicais da nisto... lava-se a alma, anda-se a chuva nas copas das arvores, brinca-se muito e... descobre-se que as minhas amigas de Outubro de 2003 afinal nao foram totalmente banidas.
Valha-me a experiencia de mais de 20 anos de convivio proximo para saber como lidar com elas da melhor forma para nao ter as ferias estragadas.
Viva o sol, a floresta tropical e este mar maravilhoso...
...ja tinha dito que estou na costa do Pacifico?...

Back... but for something different!

De volta a um hotel com net e de volta a escrever mais um bocadinho...
Hoje para dar os parabens a um graaaande amigo que me acompanha desde os primeiros tempos de faculdade (longas horas de conversa acompanhados de pasta, o WinRest e o seu famoso porshe) ate aos dias de hoje.
Falo do Paulo que, depois de muita dedicacao e de muitas "teses de doutoramento" (palavras dele ao descrever o trabalho desenvolvido por ele para este fim) conseguiu esta coisa maravilhosa!
Parabens!!!!
Ah, e ao Pedro e ao Paulo e restantes amigos que entre uns toques de bola e muita genialidade robotica conseguiram o titulo mundial!...

terça-feira, 20 de junho de 2006

Eu sabia que tinha de haver pelo menos uma!...

Tinha de ser. Eu estva a achar dificil de encontrar, mas ela existe!
Parece que os eucaliptos afinal teem uma utilidade: plantados perto de plantacoes de cafe sao beneficos ao controlo de parasitas: eles acabam por ser atraidos pelos eucaliptos e poupam as plantas do cafe...
Afinal existe uma razao util para a sua existencia...

Live from Costa Rica

Adivinhem la: estou mesmo na Costa Rica.
(desculpem os erros, mas este teclado e estranhissimo)
Cheguei ontem e entre uma inacreditavelmente longa viagem de aviao e o jet-lag, foi uma experiencia para esquecer.
Mas isto e realmente bonito. Desde que ca estou (umas singelas 24 horas e qq coisita) ja andei na estrada trans-americana, ja vi um vulcao e estou num hotel deslumbrante no meio da floresta tropical: Hotel Tabacon
Tenho que vos dizer: tomar umas banhocas em aguas termais no meio de uma vegetacao luxiriante e com tantas fl;ores exoticas e do melhor...
Pena que estejam tantos norte-americanos nas redondezas... eles conseguem falar mais e fazer mais barulho que os Espanhois...

quinta-feira, 15 de junho de 2006

Costa Rica, here I go...

Ora então é mesmo verdade: esta moçoila inconsciente vai mesmo tirar umas férias em grande e vai até à Costa Rica.
Vão ser 2 semanas inteirinhas do outro lado do mundo, sem telefones, telemóveis, chefes e colaboradores, clientes chatos e - principalmente - sem roaming!... Sim, porque assim tenho a certeza que ninguém cai em tentação...
Ainda estou meio em transe com o lufa-lufa dos últimos dias (ainda gostava de perceber porque é que quando vamos de férias trabalhamos o triplo antes de ir e temos muito mais à nossa espera quando chegamos...) e com a perspectiva de que o meu regresso vai ser brindado com uma aventura em particular (vou abraçar uma responsabilidade nova que me assusta um bocadinho...).
Junho vai terminar a 48ºW e Julho é sempre aquele mês especial...
Até ao meu regresso

quarta-feira, 24 de maio de 2006

Férias, esse assunto que me é tão querido…

Já tardava, devem estar a pensar aqueles raros, teimosos e fiéis seguidores deste blog desde o seu princípio… Tanto tempo sem falar em férias nem parece normal em mim.
Pois cá estou eu de novo a divagar com essa coisa tão maravilhosa que são a férias e a sonhar com destinos bem distantes. Desta vez estava apostada em ir até à Costa Rica…
Um destes dias escrevi o seguinte:
"A Costa Rica é o país do mundo com maior número de parques naturais protegidos. Tem Caraíbas de um lado e Pacífico do outro. Tem floresta tropical com características similares à Amazónia (e quase tantas espécies diferentes de bicharada) e um vulcão activo (segundo contam, à noite vê-se a lava incandescente). Em determinada época do ano (adivinhem lá qual) há, na costa das Caraíbas, a desova das tartarugas. Além disso é dos países com maior variedade e quantidade de orquídeas do mundo.
...e há uma elevada aposta no turismo desportivo/radical."
Apetece mesmo, não apetece?
O problema é que a Costa Rica fica do outro lado do mundo. São 14 horas dentro de um avião e muito dinheiro pelo meio.
Ontem estive na agência de viagens e desmotivei por completo. A teoria de querer aproveitar tudo ao máximo (já que vou até tão longe) tem reflexos estupidamente elevados no preço a pagar. Agora estou dividida: vou até lá e esqueço o amor à carteira (afinal se não é para usufruir das coisas boas da vida que se trabalha tanto…) ou desisto e vou para qualquer outro destino – e há tantos…
O problema é que já ando a pensar na Costa Rica há 2 anos…

quinta-feira, 18 de maio de 2006

Dia diferente

Hoje foi um dia diferente.
Profissionalmente representou algo que provocou um exercício de introspecção que já não fazia há algum tempo. Mais uma vez concluo que sou efectivamente diferente de tantos que julgava iguais, por mais semelhanças que aparentemente existam.
A empresa onde trabalho está em pleno momento de revolução de estratégias com consequentes reajustes nos recursos humanos. Por isso mesmo hoje foi promovido um encontro de quadros onde foram explicadas muitas coisas e se desenharam os cenários que se prevêem para o futuro.
Na verdade não fiquei a saber nada de novo. Não que não existam novidades, mas algumas delas já tinha concluído através de uma análise do estado actual das coisas, com alguma ajuda do que tenho ouvido aqui e ali… mas a serenidade que obtive por ver confirmadas as minhas conclusões (sinal de que ainda encontro alguma lógica no que me rodeia) não foi de todo um sentimento partilhado. E aqui é que encontro a diferença…
Mas hoje foi diferente por mais um motivo. Hoje soube que alguém de que gosto muito vai abraçar um novo projecto profissional.
Tenho de confessar que a minha reacção foi muito pior do que seria expectável. Foi como se um angustiante sentimento de perda se apoderasse do meu estado de espírito… Trata-se de alguém que tem progressivamente marcado presença no meu dia-a-dia e que tem contribuído (e de que maneira) para tornar mais agradável o meu trabalho, a empresa e o ambiente que a envolve. Alguém que me tem feito ver, quando tudo parece mais cinzento, os aspectos mais positivos da minha situação profissional e tem sido um apoio e companhia de que não me vai ser fácil abdicar.
Mas tudo isto é egoísta.
Por ser efectivamente alguém especial a quem reconheço qualidades suficientes para considerar um modelo a seguir, só lhe posso desejar toda a felicidade do mundo, que genuinamente acho que merece.
E estranhamento sinto-me invadida por um sentimento de nostalgia, por reconhecer os sintomas que me foram descritos pelo meu amigo JSP, em Dezembro de 2004, quando lhe disse que ia sair da empresa onde estava na altura.
…e não consigo deixar de me lembrar que ele acabou por sair de lá logo após…
Hoje foi realmente um dia especial. E não consigo deixar de pensar em tudo isto enquanto estou dentro de um carro a fazer a viagem de regresso ao Porto, envolta em conversas tontas com graçolas de circunstância e um céu estrelado deslumbrante, com Cassiopeia e Orion a espreitarem sob o meu ombro enquanto rascunho estas palavras…